segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um jantar de Liberdade

Foi no dia 25 de Abril, o dia da Liberdade, como é chamado por aqueles que o viveram em 1974, que se realizou o nosso jantar de Abril.

Desta vez, foi na rua D. João IV, na casa dos nossos queridos amigos Jaime e Teresa.
Nós fomos os primeiros a chegar e, pela demora em abrirem-nos a porta, chegamos a pensar que estavamos enganados. Mas não. Apenas um minuto depois já o nosso anfitrião nos recebia de braços abertos.

Alguns aperitivos depois, chegavam os restantes convidados e fez-se o caminho para mesa.
As entradas, diversas, estavam óptimas e alimentaram os estômagos e as conversas durante a primeira parte do repasto.
Mas a Teresa tinha-nos preparado um jantar de estalo.
Nada mais, nada menos, que cabrito assado à moda de Trás-os-Montes, com batatinhas, arroz e salada. Uma maravilha, de comer e chorar por mais! :)
Para a sobremesa houve um gelado de leite condensado, palitos la Reine e ovos moles, preparado por mim, assim como pão de ló da Ti Piedade levado pela Flora.
Os donos da casa tinham preparado fruta fatiada.
Para finalizar houve café para quem quis.
A conversa, mais uma vez teve dois grupos: o dos homens que sempre falam de tropa, guerra, futebol ou política e o das mulheres que preferem falar de receitas, filhos e outros assuntos mais femininos.
O Jaime, por ser dia 25 de Abril, ofereceu a cada convidado uma quadra escrita numa pequena folha de papel de engenharia à qual a Teresa prendeu um pequeno cravo vermelho.
Ofereceram também uma outra folha em que estava uma frase, em rima, sobre cada um de nós.
Finalmente um poema numa folha A4.

Encontro
O tempo que de nós foge
dia a dia, hora a hora
sem ter dó nem piedade
É este mesmo, o de hoje
Deste momento e agora
Que estreita nossa amizade!

35 anos passados
do dia da Revolução
pelas gentes recordada,
eis-nos aqui concentrados
com boa disposição
em mais uma jantarada...

Queremos manifestar
do fundo do coração
com orgulho e até vaidade
Como é bom convosco estar
Juntos nesta ocasião
Gozando de LIBERDADE!

Do peixe assado à picanha
Do polvo ao bacalhau
Às papas de sarrabulho
Que felicidade tamanha!
Quando o vinho nunca é "mau"
E a sopa tem muito "entulho"!...

Chegado a este momento
Impõe-se uma reflexão
Cheia de oportunidade
Imaginem o tormento
O temor e sofrimento
Se antes da Revolução
Houvesse esta reunião?!...

Certamente, mais aflito
Em vez de... a saborear cabrito!


Sem dúvida que estavamos na casa de um poeta!

O António também trazia a sua surpresa ao ter feito o recibo das quotas com um belo cravo vermelho, impresso.
Falou-se muito sobre onde ir, e quando, para usar o dinheiro que andamos a juntar mas ainda não se chegou a um verdadeiro consenso. A maioria quer ir a Praga mas, provavelmente, só no próximo ano.

A Teresa, ainda tentou desafiar-nos para cantar, colocando música popular no gira discos mas, a verdade é que ninguém se mostrou muito interessado e ela teve que desistir.
Foi mais um convívio delicioso que iremos sempre recordar.

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Acerca de mim

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Sou mãe de três filhos já adultos mas sou muito mãe galinha. Tenho uma gata persa chamada Julieta com quem mantenho uma grande cumplicidade. Adoro a minha família e sou muito amiga dos meus amigos. Gosto muito de viajar e de fazer fotografia. Ler, pintar e navegar na net são outras das minhas paixões.